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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

‘Sim, eu posso!’ diminui 29% do analfabetismo, em oito municípios maranhenses


“Escrever e ler eu não sabia, não. Mas, eu sabia fazer a roça, porque a minha vida foi trabalhar na roça, meu pai me levava pra terra boa de roça. Quando apareceu o ‘Sim, eu posso!’ ‘os professor tinha’ uma maneira tão boa de ensinar e de brincar, que eu fui pra escola. Eu achei que da maneira que eles ‘trouxero’ aquela educação, se fosse assim desde o princípio, todo mundo era alfabetizado no Maranhão. Agora, eu sei escrever e ler. Quando eu vejo os ‘nome nas parede’, em qualquer lugar eu já ‘tô’ lendo, não tem coisa melhor”. A afirmação é do lavrador Feliciano de Sousa Lima, do município de Jenipapo dos Vieiras, no Centro Sul do Maranhão.

Com 54 anos, seu Feliciano faz parte do grupo de 7.119 pessoas que recentemente foram certificadas como alfabetizadas pelo Programa ‘Sim, eu posso!’ e puderam realizar o sonho de aprender a ler e escrever nos municípios de Aldeias Altas, Água Doce do Maranhão, Governador Newton Bello, Jenipapo dos Vieiras, Itaipava do Grajau, Santana do Maranhão, São João do Carú e São Raimundo do Doca Bezerra.

Os dados são alarmantes: juntos, estes municípios têm 68.696 pessoas com idade a partir dos 15 anos. Deste total, aproximadamente 36% da população nessa faixa etária era formada por analfabetos, o que totalizava 24.541 pessoas que não sabiam ler e escrever nestes oito municípios.

Em oito meses, o ‘Sim, eu posso!’ contribuiu significativamente para a mudança desta realidade. Ao todo, 7.119 pessoas realizaram o sonho de aprender a ler e escrever e deixaram para trás esta triste condição, totalizando 29% de redução do analfabetismo.

São pessoas como seu Manuel Viera de Sousa, de Santana do Maranhão, que aos 67 anos encontrou a oportunidade para escrever uma nova história. “Pra mim esse ‘Sim, eu posso!’ foi uma coisa grande, porque eu aprendi a ler e escrever, brinquei, me ‘adverti’. Fiquei com pena porque terminou logo. O que quero é que continue ‘pra’ a gente continuar estudando”, disse empolgado o lavrador aposentado.

Maria Antônia Nascimento Gonçalves foi alfabetizadora no município de Aldeias Altas e conta animada a sua jornada ao longo destes oito meses. “Foi uma experiência muito enriquecedora, porque eu já trabalhei com programas de alfabetização, mas, esse superou todas as minhas expectativas, eu amei, e os alunos também. A minha turma era mais de idosos. E quando eles começaram a conhecer e juntar as letras, formar sílabas e palavras, é como se eles estivessem enxergando um mundo mais bonito. Cada vez que um aluno escreve ou lê uma palavra, a gente se emociona junto com ele”, declarou.

As lições de vida vieram de todos os lados. Do povoado Santarém, no município de São João do Caru, dona Maria da Conceição, de 56 anos, é quem deu o tom da solidariedade e matriculou-se para incentivar três amigas a se alfabetizarem, apesar dela já ser alfabetizada. “Fui para o ‘Sim, eu posso!’ para ajudar e incentivar três amigas que não sabiam ler. Fiquei muito feliz, porque ajudei elas com algo muito importante, que é ler e escrever”, declara.

O Programa


Coordenada pelas Secretarias de Estado da Educação (Seduc) e de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), e executada pelo MST, o ‘Sim, eu posso!’ teve duração de oito meses e é um método inovador de ensino, concebido pelo Instituto Pedagógico Latino-Americano e Caribenho de Cuba (Iplac) e aliado aos círculos de cultura da pedagogia de Paulo Freire. Nos três primeiros, ocorreu o processo de alfabetização, em si. Já nos cinco meses restantes, os recém-alfabetizados participaram de um processo chamado ‘Círculo de Cultura’, que teve como objetivo de fortalecer o aprendizado envolvendo os alunos no contexto de suas raízes culturais.

O ‘Sim, eu Posso!’ integra a mobilização pela alfabetização dentro do Plano de Ações ‘Mais IDH’, instituído pelo governador Flávio Dino, com o objetivo de reduzir os índices de analfabetismo no estado.

Investimentos

Na primeira fase do ‘Sim, Eu Posso!’ no Maranhão, correspondente ao ano de 2016, o Governo do Estado investiu mais de R$ 7 milhões. Para a execução do programa foi montada uma extensa equipe de voluntários bolsistas, contratados por meio de processos seletivos. Ao todo, são 593 alfabetizadores e 71 coordenadores de turma, 04 coordenadores políticos pedagógicos, além de 16 brigadistas.

O programa terá continuidade em 2017 e, além de continuar nos oito municípios iniciais, chegará a outros que fazem parte do Plano Mais IDH, totalizando 15 municípios neste segundo ciclo.


Fonte: Seduc


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